Quênia – Nanyuki

Uma riqueza infinita se apresentou diante dos meus olhos.

Tive a oportunidade de fazer uma viagem de carro desde Nairobi até a região do Monte Quênia. Foram cerca de quatro horas de estrada, atravessando paisagens diversas e vivendo situações igualmente variadas.

Ao longo do caminho, vi crianças voltando da escola, todas uniformizadas. Pareciam felizes e seguras. Muitas corriam, brincavam pelo trajeto, algumas jogavam bola, outras caminhavam de mãos dadas. Havia entre elas uma clara sensação de pertencimento.

Vi muitas pessoas caminhando e me perguntei, repetidas vezes, de onde vinham e para onde iam, já que, mesmo após longas distâncias percorridas de carro, muitas vezes não havia nada visível ao redor.

Vi também muitas motos. Às vezes com uma pessoa, ora com duas ou três. Cheguei a ver ovelhas sendo transportadas nas motos. O Uber mais “sheep” que já vi na vida. Espero que a piada tenha ficado clara. Capacetes simplesmente não existem, rs!

Vi pessoas paradas. Sozinhas ou acompanhadas. Algumas em pé, outras sentadas, outras deitadas e novamente eu sempre me questionando o que será que elas fazem ali no meio do nada (nada para mim, claro). Um dia, talvez, eu encontre minhas respostas.

Gosto de fotografar pessoas em suas vidas cotidianas. Gosto de pessoas. Gosto de observá-las como realmente vivem e por isso, essa experiência de road trip foi extremamente generosa nesse sentido.

É claro que, ao atravessar o país por estradas muitas vezes em mau estado de conservação, somos expostos às vulnerabilidades que existem pelo caminho. Vi muita pobreza, mas não vi sofrimento. Vi diferentes formas de viver com muito pouco, em condições que a minha bolha talvez questionasse como qualidade de vida.

Muitos me olharam. Muitos sorriram. Muitos acenaram com a cabeça e, por vezes, com as mãos. Crianças me observavam, sorriam e, quando eu sorria de volta, muitas saíam correndo por eu ser um estranho. Gostei disso. Às vezes por timidez, quero acreditar, e outras por um instinto de defesa. Gosto disso e respeito.

Ao longo das estradas, vi diversas comunidades organizadas de maneiras distintas. Algumas mais estruturadas, outras menos, mas todas com o mínimo necessário para viver. Mercados, cafés, casas e atividades cotidianas, como pessoas lavando roupas, carros e motos nos rios.

Cenários que destoam da minha realidade, mas que, curiosamente, não são tão distantes assim. Posso encontrar facilmente cenários semelhantes em meu próprio país.

Me vi em muitas pessoas. Vi muitas pessoas que poderiam ser meus ancestrais, até mesmo em linhagens mais recentes. Fotografei senhoras que poderiam ser minhas avós. Em algumas, vi minha avó Hilka. Em outras, minha tia Dadá. Que saudade!

E as vestimentas! Quanta diversidade. Quanta criatividade. Quantas cores contrastando com o árido, com o verde, com os aglomerados. Pessoas simples, pessoas elegantes, pessoas sendo pessoas em sua essência.

Embora tenha sido um longo trajeto entre um hotel e outro, com toda certeza foi apenas uma rápida passagem, e por isso, seria leviano da minha parte acreditar que minhas impressões são definitivas. Para escrever sobre um povo, é preciso tempo e profundidade. É necessário conhecer melhor os bastidores. Ainda assim, de algo tenho certeza. Que povo especial. Que povo carismático. Que povo divertido. Que povo acolhedor.

Um povo e uma região que merece ser observado de perto.

Obrigado, Nanyuki, por me receber tão bem..